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terça-feira, 4 de agosto de 2009

O amor no terceiro milénio!

O Amor no Terceiro Milénio

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milénio.
As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher.
Ela abandona suas características para se amalgamar ao projecto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante.
Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria.
Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso - o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.
Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção.
Não é príncipe ou salvador de coisa alguma.
É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso.
Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.
Cada cérebro é único.
Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...
"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado"

Livro relacionado ao assunto:
Ensaios Sobre o Amor e a Solidão
Flavio Gikovate
(Le Lis Branc)

Individualismo não é egoismo!

Individualismo não é Egoísmo

Nossos ouvidos recebem de forma negativa a palavra individualismo porque a confundimos com egoísmo, um vício que condenamos mesmo quando vive dentro de nós.

Porém não é bom aceitar como verdade absoluta tudo o que aprendemos na infância.

Convém reflectir a respeito daquilo que pensamos saber.

O individualismo está relacionado à individualidade, ou seja, à capacidade de se reconhecer como unidade, ainda que integrada a um contexto maior – a família, o país, o planeta.

Somos indivíduos com peculiaridades próprias, uma parte única em um universo composto de pessoas diferentes que partilham interesses comuns.

O individualismo considera legítimo cuidar dos próprios interesses – o que não significa, em hipótese alguma, prejudicar os direitos daqueles que nos cercam.

O individualista tem uma noção clara dos seus limites.

Sem essa consciência da fronteira que separa os direitos alheios dos seus, ele não conseguiria se distinguir do todo e perderia seu individualismo.

Nossa sociedade valoriza intensas trocas de sentimentos e idolatra as pessoas que se doam sem medida e incondicionalmente.

Então, o individualista, que não se entusiasma em trocar, é visto com reservas.

Trata-se de alguém que não espera muito dos outros e prefere dar pouco de si.

Esse comportamento não é egoísmo, embora as pessoas cujas expectativas ele deixa de atender o vejam dessa forma.

Egoístas são os que defendem profundas trocas de experiências entre as pessoas para tirar vantagem, já que exigem muito e dão pouco.

Como não sobrevivem sem isso, acusam de egoísmo quem não aceita as regras desse jogo de dar muito e receber pouco.

O alvo em geral são os individualistas, que não se prestam a esse tipo de manobra.

Aos egoístas não resta outra saída a não ser se aproveitar dos generosos – aqueles que não se importam em receber muito menos do que seu empenho em doar mereceria.

O egoísta diz “eu me amo” e gosta de apregoar que consegue suprir as próprias necessidades e ficar bem consigo mesmo.

O objectivo desse discurso é esconder a vergonha que sente de sua total dependência – de atenções, de protecção, de companhia.

Se fosse independente de fato, não precisaria tirar vantagem dos relacionamentos.

Na verdade, gostaria de ser individualista, de ter força suficiente para bastar a si mesmo, de aguentar com dignidade as dores inerentes à vida, de poder escolher entre trocar ou não experiências.

O individualista possui essa força, enquanto o egoísta o imita exibindo uma energia que não possui.

Por isso, o egoísta se apropria daquilo que não lhe pertence: precisa guardar uma cota extra para suprir sua incompetência em lidar com a vida.

Faz isso não porque seja mau-carácter, mas porque é um fraco.

Conhece suas limitações emocionais e padece de inveja dos que são verdadeiramente independentes.

Tenta incorporar suas atitudes e até convence muita gente de sua independência.

Mas não engana a si mesmo.


Livro relacionado ao assunto:
A Liberdade Possível
Por: Flávio Gikovate

Os opostos atraem-se, mas não se entendem!



Os opostos se atraem, mas não se entendem

É voz corrente, que nos relacionamentos afetivos, os opostos se atraem.

Diante do fato, a gente se posiciona de forma curiosa: como sempre ouvimos falar disso, consideramos a afirmação absolutamente verdadeira.

Não duvidar de sua lógica parece nos conduzir a um “porto seguro” e acabamos acreditando que o fenômeno é inevitável.
Por acaso alguém já se questionou a respeito? Afinal de contas por que os opostos se atraem? Trata-se de uma fatalidade, de uma lei da natureza que nos leva a bons resultados?

Acho muito importante assumir uma atitude crítica e de reflexão em torno dos problemas do amor, pois é a emoção que mais dor e sofrimento nos tem causado.

São raras as pessoas realmente felizes e realizadas nessa área.

Devem existir muitos erros e ignorância em relação ao amor.

Aliás, é só de algumas décadas para cá que os profissionais de psicologia – e, ainda hoje, poucos entre eles – começaram a se interessar pelo assunto, até então reservado aos poetas.

Gostaria de externar de modo categórico a minha opinião, fundamentada em mais de 26 anos de experiência como psicoterapeuta: os opostos se atraem, mas nem por isso combinam bem.

O resultado desse tipo de união não é obrigatoriamente um sucesso.

Pessoas muito diferentes vivem brigando e se irritando uma com as outras.

Temperamentos e gostos antagônicos dificultam a vida em comum.

Durante o período de namoro, os obstáculos existem, mas não são tão importantes, uma vez que são raras as coisas práticas compartilhadas.

Após o casamento, porém, as divergências infernizam o cotidiano.

Como encaminhar a educação dos filhos se os pontos de vista são tão diferentes? Como planear a economia doméstica, a ordem dentro de casa, as viagens de férias?

Na prática, ocorre o seguinte: os opostos se atraem, mas na rotina da vida em comum as contradições se acirram.

Começa então a tarefa de cada um tentar modificar o outro.

O marido quer moldar a mulher de acordo com o seu modo de ser; a mulher deseja que o marido a compreenda e se aproxime dos seus pontos de vista. Será que isso é possível? Não deveriam diminuir as diferenças com o convívio?

Deveriam, mas não diminuem, talvez por causa do medo de ver o encantamento amoroso desaparecer. Sim, porque afinal de contas os namorados se sentiram atraídos exactamente por serem pólos opostos. Se ficarem parecidos, não acabará o amor?

Os casais convivem por anos, sempre se desentendendo, sempre procurando fazer do outro um semelhante e só conseguem agravar as diferenças e piorar as brigas.
Não deixa de ser ironia que a gente se sinta fascinado por pessoas com as quais não teremos um bom convívio.

Esse fenómeno é responsável por um enorme número de uniões infelizes e que, hoje, acabam em divórcio.

Cabe indagar: a atracão por opostos é inevitável? Acho que não, apesar de ser muito comum, especialmente na adolescência. Considero fundamental entendermos as razões que levam a esse tipo de encantamento.

Conhecendo-as, poderemos evitar o erro e nossas chances de sucesso no amor aumentarão bastante.

A principal causa do magnetismo entre opostos é, sem dúvida alguma, a falta ou diminuição da auto-estima.

Quando não estou satisfeita com o meu modo de ser, procurarei alguém que seja completamente diverso. Se eu for introvertido e tímido, a tendência será me apaixonar por uma pessoa extrovertida e sem inibição.

Com o tempo, o que suscitava minha admiração e era uma “qualidade” se tornará fonte de irritação, mas no início ficarei encantado.

Ao “ter” o outro, “tenho” a extroversão que me faltava. Sinto-me mais completo.

Tudo muito lógico na teoria.

Na prática, as diferenças nos desagradam, dificultam nossas vidas, criam barreiras e resistências cada vez maiores.

Elas são responsáveis pelos atritos constantes e pelas brigas “normais” entre marido e mulher. Será que são mesmo normais?

Livro relacionado ao assunto: Uma Nova Visão do Amor
Por: Flávio Gikovate