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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Silêncio

O silêncio não faz de um tolo um mestre.


Essa é uma estranha afirmação de um buda, porque o silêncio tem sido sempre muitíssimo louvado; mas Buda diz a verdade como ela é. Ele não se importa com a tradição.


Na Índia, o silêncio tem sido uma das qualidades mais louvadas, durante séculos. O monje jaina é chamado de muni – muni quer dizer “o silencioso”. Todo o seu esforço é para ficar calado, cada vez mais calado. Mas Buda diz: “Mas não seja tolo, só o silêncio não vai adiantar”. Ele pode ajudá-lo a manter sua tolice para si mesmo, mas a tolice irá se acumulando e, mais cedo ou mais tarde, ela será excessiva. Ela acabará transbordando e é melhor deixá-la sair em pequenas doses todos os dias, em vez de acumulá-la e depois vê-la causar uma enchente.


É isso que também tenho observado. As pessoas que ficam caladas por muito tempo tornam-se muito burras, porque seu silêncio é somente na superfície. Lá no fundo, há agitação. Lá no fundo, elas são as mesmas pessoas, com ambição, ciúme, inveja, ódio, violência – inconscientes, com todas as espécies de desejos. Talvez agora elas sejam desejosas de outro mundo, ambicionem o outro mundo, pensado mais em paraíso do que neste mundo e na terra. Mas é a mesma coisa, projetada numa tela maior, projetada na eternidade. Na verdade, a ambição cresceu milhares de vezes. Primeiramente, era por pequenas coisas: dinheiro, poder, prestígio. Agora é por Deus, pelo samadhi, pelo nirvana. Ela ficou mais condensada e mais perigosa.


Então, o que é preciso fazer? Se o silêncio não pode fazer de um tolo um mestre, então o que pode fazer de uma pessoa um mestre? Consciência. E o milagre é que, se você se torna consciente, o silêncio te persegue como uma sombra.

Mas, nesse caso, o silêncio não é praticado – ele vem por conta própria. E, quando o silêncio vem por conta própria, ele tem uma tremenda beleza em si. Ele é vivo, ele tem uma canção no seu âmago mais profundo. Ele é amoroso, ele é bem-aventurado. Ele não é vazio; ao contrário: é plenitude. Você fica tão cheio, que pode abençoar o mundo todo e, ainda assim, sua fontes continuam inesgotáveis; você continua dando e não será capaz de esgotar a fonte. Mas isso acontece por meio da consciência.


Essa é a verdadeira contribuição de Buda – sua ênfase na consciência.


O silêncio se torna secundário, o silêncio se torna uma consequência. A pessoa não faz do silêncio a meta – a meta é a consciência.


Do Livro A descoberta do Buda – OSHO

sábado, 19 de setembro de 2009

Observe se porventura não será você que está fechado.

Movimente-se na vida com uma confiança profunda, onde quer que ela a conduza.
Não crie objectivos próprios.
Se criar objectivos perderá a sua autenticidade.
Ter objectivos é ser contra a vida.
A vida não tem objectivos.
Se você tiver um objectivo, está contra a vida.
A vida não se move como um negócio, move-se como a poesia.
A vida não se move a partir da mente, mas a partir do coração.
A vida é um romance.
Por isso a confiança é fundamental, e a dúvida em nada nos pode ajudar.
A vida não é científica, é irracional.
A vida não acredita em Aristóteles ou nos apologistas da lógica, mas acredita no amor, nos poetas, nos místicos.
É um mistério que tem de ser vivido e não uma charada para resolver.
Não é um puzzle, nem um problema.
O segredo da vida está aberto, você é que está fechado.
O segredo da vida é revelado em todas as coisas: em cada árvore, em cada raio de sol.
É você quem está fechado...


( Osho no livro "A semente de mostarda")
(encontrei algures na net, não me lembro de onde)


terça-feira, 16 de junho de 2009

O que trazemos e o que levamos!... visão do Osho


O que trazemos e o que levamos.


Osho
Do livro "Mais Pepitas de Ouro“

Você vem ao mundo sem coisa alguma.
Assim, uma coisa é certa: nada lhe pertence.
Você vem absolutamente despido, porém com ilusões.
É por isso que toda criança nasce com as mãos fechadas, cerradas,
acreditando que está trazendo tesouros -e aqueles punhos estão vazios.
E todos morrem com as mãos abertas.
Tente morrer com as mãos cerradas -até o momento ninguém conseguiu.
Ou tente nascer com as mãos abertas -ninguém conseguiu também.
A criança nasce com as mãos fechadas,
com a ilusão de que está trazendo tesouros ao mundo,
mas não há nada nas mãos.
Nada lhe pertence, então você está preocupado com qual insegurança?
Nada pode ser roubado, nada pode ser tirado de você.
Tudo o que você está usando pertence ao mundo.
E um dia você terá que deixar tudo aqui.
Você não será capaz de levar coisa alguma com você.
Será que estou no caminho certo?
As indicações de que você está no caminho certo são muito simples:
a) Suas tensões começam a desaparecer.
b) Você fica mais e mais senhor de si. Mais e mais calmo.
c) Encontrará beleza em coisas que jamais concebeu pudessem ser belas.
d) As menores coisas começarão a ter imenso significado.
e) O mundo inteiro se tornará mais e mais misterioso a cada dia.
f) Você se tornará menos e menos culto e mais e mais inocente
-como uma criança correndo atrás de borboletas,
ou pegando conchas do mar numa praia.
g) Você sentirá a vida não como um problema,
mas como uma dádiva, uma bênção, uma graça.
Essas indicações crescerão continuamente se você estiver na pista certa.
Se estiver na pista errada, acontecerá exactamente o oposto.