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sábado, 14 de agosto de 2010

Libertar o maximo de visões que nos seja possivel


Desapego a visões

(...)As visões não nos deixam ter acesso directo à realidade. Portanto, seja muito cuidadoso quando usar seus olhos, seja muito cuidadoso quando usar seus ouvidos, seu nariz, sua língua, seu corpo e sua consciência. Não seja capturado por visões. Este é o núcleo dos ensinamentos, e este é o ensinamento chamado “desapego a visões”.

(...) não ficar apegado a visões, doutrinas, ideologias (...) Você não deveria se doar para uma ideologia, teoria ou doutrina(...)

(...) Aquele que ainda espera pacientemente por visões dogmáticas, considerando-as as mais altas no mundo, pensando que é a mais excelente visão, depreciando as outras visões considerando-as inferiores não está ainda livre. (...)
Ao ver, ouvir ou sentir alguma coisa e considerar que é a única coisa que pode te trazer conforto e vantagem, você sempre fica inclinado a ficar preso nisso e considera tudo mais inferior. Esta é a tendência natural de cada um de nós. Queremos confinar a verdade. (...)A atitude de ficar preso na visão pessoal e considerar as outras como inferiores, é considerada pelos sábios, como escravidão, como ausência de liberdade (...)

(...) um conjunto de ensinamentos, um conjunto de visões, e o tipo de prática que é baseada nestas visões. É por isso você fica preso e não pode mais fazer progressos. A única maneira de continuar a fazer progressos no seu caminho espiritual é remover os obstáculos feito de visões, mesmo visões da doutrina, visões sobre liberdade e transformação. Temos que nos livrar de quaisquer visões.

(...) ”Às vezes na sua vida você toma algo como verdade, e fica preso nisso, e por isso você para.”
(...)Suponha que você tenha subido uma escada e chegou no quinto degrau e olhando para baixo vê que é muito alto e assim pensa que adquiriu o mais alto tipo de visão, a visão mais bonita. Se você ficar preso nesta situação, não vai mais querer dar um outro passo, porque sempre é possível dar outro passo.

É como a ciência. Cientistas descobriram coisas e consideram-nas verdade, e se ficarem presos a isto, se acharem que é a verdade absoluta, vão parar de questionar e não poderão avançar. Um bom cientista é aquele que está pronto para abandonar suas visões porque tem a mente aberta, é livre de espírito. O espírito da ciência é o espírito da abertura. Um bom cientista está sempre pronto para deixar ir suas descobertas de forma a dar outro passo no caminho do questionamento livre. Portanto a prática de desapego a visões é muito básica nos ensinamentos do Buda. (...) Feliz é a pessoa que é livre de visões, incluindo as visões sobre a felicidade.


(...)Cada um de nós pode ainda ser aprisionado pela visão que temos a respeito de nossa felicidade. Acreditamos que só podemos ser felizes sob certas condições: a,b,c,d... Portanto, de acordo com este ensinamento, ajuda muito dar um passo atrás e olhar para nossa visão acerca de nossa felicidade. Talvez seja provável que sua visão de felicidade seja o principal obstáculo para que você seja feliz.

(...)Você precisa apenas de uma coisa: ser livre, ser livre de suas visões. Não é que outra pessoa esteja impondo algo a você e assim você não pode ser livre. É você mesmo que se aprisiona nas suas visões. (...)Nirvana é a ausência, é o silenciamento de todas as visões porque visões e noções são a fundação do sofrimento.
(...)
Palestra de Dharma em Plum Village

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A prática de deixar ir



A prática de deixar ir

Se há coisas que te fazem sofrer, você tem que saber como deixá-las ir. Felicidade pode ser obtida soltando, deixando ir, incluindo deixando ir suas ideias sobre felicidade. Você imagina que certas condições são necessárias para sua felicidade, mas olhando profundamente se revelará para você que essas noções são exactamente as coisas que ficam no caminho da felicidade e te fazem sofrer.

Um dia o Buda estava sentado na floresta com alguns monges. Eles tinham acabado de almoçar e já iam começar um Compartilhamento sobre o Dharma quando um fazendeiro se aproximou deles. O fazendeiro disse: “Veneráveis monges, vocês viram minhas vacas por aqui? Eu tenho dezenas de vacas e elas fugiram. Além disso, eu tenho cinco acres de plantação de gergelim e este ano os insectos comeram tudo. Eu acho que vou me matar. Eu não posso continuar a viver assim”.

O Buda sentiu forte compaixão pelo fazendeiro. Ele disse: “Meu amigo, me desculpe, não vimos suas vacas vindo nessa direcção”. Quando o fazendeiro se foi, o Buda se voltou para seus monges e disse: “Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm vacas para perder”.

Eu gostaria de dizer a mesma coisa para vocês. Meus amigos, se vocês têm vacas, têm que identificá-las. Você pensa que elas são essenciais para sua felicidade, mas se você praticar olhar em profundidade, entenderá que são estas mesmas vacas que trazem sua infelicidade. O segredo da felicidade é ser capaz de deixar ir suas vacas, soltá-las. Você deveria chamar suas vacas por seus verdadeiros nomes.

Eu te garanto que quando você deixar suas vacas ir embora, você experimentará felicidade porque quanto mais liberdade você tem, mais felicidade você terá. O Buda nos ensinou que alegria e prazer são baseados na desistência, em deixar ir. “Eu estou deixando ir” é uma prática poderosa. Você é capaz de deixar as coisas irem? Se não for, seu sofrimento continuará.

Você deve ter a coragem de praticar o “deixar ir”, soltar. Você precisa desenvolver um novo hábito – o hábito de concretizar a liberdade. Você precisa identificar suas vacas. Você precisa considerá-las como um vínculo com a escravidão. Você precisa aprender como o Buda e seus monges fizeram, a libertar suas vacas. É a energia de plena atenção que te ajuda a identificar suas vacas e chamá-las por seus verdadeiros nomes.

Sorria, solte

Quando você tem uma ideia que te faz sofrer, deveria deixá-la ir, mesmo (ou talvez especialmente) se é uma ideia sobre sua própria felicidade. Cada pessoa e cada nação têm uma ideia de felicidade. Em alguns países, pessoas pensam que uma ideologia em particular deve ser seguida para trazer felicidade ao país e ao seu povo. Eles querem que todos aprovem a sua ideia de felicidade e acreditam que os que não estão a favor deveriam ser presos ou colocados em campos de concentração. É possível manter tal pensamento por cinquenta ou sessenta anos, e neste tempo criar uma tragédia enorme, apenas por causa desta ideia de felicidade.

Talvez você também seja prisioneiro de sua própria noção de felicidade. Há milhares de caminhos que levam à felicidade, mas você aceita somente um. Não considerou outros caminhos porque pensa que o seu é o único. Você seguiu este caminho com toda a sua força e, portanto os outros caminhos, os milhares de outros caminhos permaneceram fechados para você.

Deveríamos ser livres para experimentar a felicidade que apenas vem a nós sem ter que procurá-la. Se você é uma pessoa livre, a felicidade pode vir para você num estalo. Olhe para a lua. Ela viaja no céu completamente livre, e esta liberdade produz beleza e felicidade. Eu estou convencido que a felicidade não é possível a menos que seja baseada na liberdade. Se você é uma mulher livre, se você é um homem livre, desfrutará de felicidade. Mas se é um escravo, mesmo que apenas escravo de uma ideia, a felicidade será muito difícil de atingir. É por isso que você deveria cultivar a liberdade, incluindo a liberdade de seus próprios conceitos e ideias. Deixe suas ideias irem, mesmo que não seja fácil.

Conflitos e sofrimento são comumente causados por uma pessoa que não quer liberar seus conceitos e ideias sobre algo. Em uma relação entre pai e filho, por exemplo, ou entre parceiros, isto acontece o tempo todo. É importante treinar a si mesmo para deixar ir suas ideias sobre as coisas. Liberdade é cultivada pela prática de deixar ir. Se você olhar profundamente, poderá ver que está se segurando a um conceito que está te fazendo sofrer um bocado. Você é inteligente o suficiente, você é livre o suficiente para desistir dessa ideia?

Estou me tornando calmo
Estou deixando ir
Tendo deixado ir, a vitória é minha
Eu sorrio
Eu sou livre


O Dharma que o Buda apresentou é radical. Contém medidas radicais para cura, para transformação da situação actual As pessoas se tornam monges e monjas porque entendem que a liberdade é preciosa. O Buda não precisava de uma conta no banco ou uma casa. No tempo dele, as posses de um monge ou monja eram limitadas aos robes que vestiam e uma tigela para colectar comida. Liberdade é muito importante. Você não deveria sacrificar ela por nada, porque sem liberdade não há felicidade.

(Do livro “You are here”, de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: leonardo Dobbin)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Loucura saudavel e libertadora...



Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim......
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:-- "É um louco!"
Olhei para cima, pra vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.
E, como num transe, gritei:"Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!” Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura.
E a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.
(Khalil Gibran)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sabedoria.


"Se um homem comum desperta, ele é um sábio. Quando um sábio está preocupado com entendimento, ele é apenas um homem comum."
Mumon

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Desarme-se !

Não faça pré-julgamentos, nem antecipe situações.

Faça de conta que este é o primeiro dia da sua vida, ainda meio inexperiente, sem reacções pré-determinadas.

Tem gente que anda tão "armada", que dá "patada" até em quem só quer fazer o bem, desconfia de tudo e de todos, tem medo até de falar, não aceita palpites, nem ouve conselhos, se julga pronto, experiente e calejado pela vida.

E lá vem a vida dar uma nova rasteira, na verdade lições que precisamos aprender, a vida não julga, ensina o que mesmo sem saber, buscamos aprender, pois é certo que colhemos o que plantamos.

Por isso, DESARME-SE!

Ouça as pessoas, procure falar mais baixo, mais devagar, ouça a sua própria voz.

Palavras lançadas não voltam mais, e as vezes, você sabe, ferem mais do que facadas, incomodam mais do que ferrão de abelha, doem na alma e não cicatrizam tão cedo.

Por isso, hoje é o seu primeiro dia de vida, e como não sabemos se será ou não o último, melhor aproveitar da melhor maneira possível.

A vida é muito breve, um sopro na poeira do tempo, por que perder tempo com discussões tolas, descobrindo quem tem ou não razão?

A razão é aquela amiga que nos puxa pela orelha e diz: Vai ser feliz! então, ouça o conselho da razão!

sábado, 25 de abril de 2009

Liberdades!


A liberdade, ao fim e ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as consequências das próprias decisões. (James Mullen)

Prefiro morrer de pé a viver sempre ajoelhado. (Ernesto "Che" Guevara)

Os maiores inimigos da liberdade não são aqueles que a oprimem, mas sim aqueles que a sujam. (Vincenzo Giobertí, filósofo e estadista italiano)

Somos escravos das leis para podermos ser livres. (Marco Túlio Cícero)

Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela. (George Bernard Shaw)

Há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há os que lutam muitos anos e são muito bons, mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis. (Bertold Brecht)

Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade. (Luiz Márcio M. Martins)

Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres (Epictetus)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril



25 de Abril »»» Liberdade


Um momento muito importante para o povo português.
Claro que seria inevitável que acontecesse... seria difícil manter aquele nível de opressão ate aos dias de hoje. E a nossa natureza faz-nos procurar a liberdade em todas as situações que nos oprimem...
Também é muito bonito de ver que outras formas de liberdade vão desabrochando...
Todos querem a liberdade... mas poucos querem a responsabilidade que lhe está associada...
A liberdade não pode ser banalizada...liberdade não é bagunça.
O estado de liberdade impõe sempre consciência e responsabilidade.
Viver em liberdade implica respeitar tudo aquilo que existe, não por imposição, porque assim não seria liberdade, mas sim porque isso se torna natural em nós.
Enquanto esse respeito e essa consciência não existir como algo natural em nós, é difícil existir um estado de liberdade... é necessário existirem sanções para aqueles que não sabem viver em comunidade... é necessário existirem limites e penalizações, para que a liberdade de uns não invada a liberdade de outros de um modo prejudicial...
Observo com frequência uma situação que é de profunda falta de respeito... que são os dejectos dos animais que ornamentam os nossos passeios e que por vezes aromatizam os sapatos de algumas pessoas...
Os animais são extraordinários e têm tanto direito a existir como as pessoas, mas os "donos" devem ter consciência da sua opção de ter um cão, em relação ás outras pessoas, que não têm que conviver com os dejectos dos seus animais... é tão simples e já tão divulgado pela comunicação social... na hora de passear o cão, levem um saquinho e recolham... e assim convivemos todos em harmonia, sem necessidade de fazer labirintos nos passeios para não pisar o que lá ficou.
O mesmo que acontece nos passeios, acontece também nas relvas dos jardins e na areia da praia, aonde nós vamos colocar o rosto no dia seguinte... não me parece que nestas atitudes exista qualquer respeito pelos outros.
Investir na formação pessoal, em vez de só na formação académica e na ostentação, melhoraria a consciência cívica e seria um grande enriquecimento pessoal...

sábado, 15 de março de 2008

Liberdades !!!!


Há muitos momentos em que reflectimos sobre o que esta certo e o que esta errado e não chegamos a conclusão nenhuma... a menos que o nosso ego nos diga que são sempre
os outros que estão errados.
Com alguma frequência tenho-me apercebido da irritabilidade que as pessoas têm quando estão a conduzir.
Vou com frequência fazer caminhadas na praia e no percurso ate lá, bem como na volta conduzo com tranquilidade à velocidade média e desfrutando do passeio,

contemplando a vida ao meu redor. Porque isso é prazeroso para mim!!!
De vez em quando os meus olhos são atraídos pro espelho retrovisor, como por instinto.. e lá esta uma criatura num carro atrás de mim a gesticular e a verbalizar coisas certamente não recomendadas!!! ihihih !!!
Felizmente não me buzinam, mas devem dizer coisas maravilhosas a meu respeito! É engraçado!Não fico zangada, mas curiosa sobre o que se passa realmente naquelas cabecinhas?Digo mais, tento ser o mais conscienciosa possível e tenho o máximo respeito que consigo pelos outros. Mas claro também tenho que ter respeito por mim...Facilito sempre as ultrapassagens. Até chego ao ponto de em zonas de uma faixa e traço continuo, saio da estrada, deixo passar todos os carros e volto à estrada, para não os incomodar com o meu ritmo! É que é muito incomodativo ter que conduzir com mais velocidade só porque alguém quer que eu o faça..
Não vivo o momento, não me respeito a mim, as minhas necessidades e os meus ritmos...pra aten
der outros! Não me é confortável!

O mais curioso é que observo que os tais condutores nervosos ficam assim arfando mesmo antes de verem que podem passar pela faixa da esquerda ou que o traço é descontinuo...podem ultrapassar de qualquer maneira...ou ainda que poucos segundos depois já podem ultrapassar-me!!!
Parece que o que os irrita é simplesmente o meu ritmo tranquilo...
Quem lê este texto até pode julgar que eu conduzo a "passo de caracol", ao "ritmo dos idosos" ou sou algum "empata na estrada". Não é isso...Mas há momentos em que não tenho pressa, só me apetece desfrutar do momento, contemplar, ouvir a musica, sem stresses...mas garanto-vos que circulo acima da velocidade media......eheheh!!!Eu, quando vou a conduzir tenho objectivos diferentes dos outros. Julgo que todas as pessoas que circulam na mesma estrada vão com objectivos diferentes!
Estou curiosa com a dificuldade que existe em respeitar as diferenças!!!
Outra coisa gira, que me diverte imenso, é que quando esses condutores irritados passam por mim, e vamos no mesmo sentido, um pouco mais à frente existe uma rotunda ou noutros casos uma estrada principal ou mesmo um semáforo.... ihihih e lá estão eles à minha frente a aguardar para poderem passar.... ihihih muito divertido, hilariante e ao mesmo tempo curioso....
Se chegamos quase ao mesmo tempo, porque é que ficam tão zangados????
Preferia que a minha paz não fosse criadora de hostilidade!!!
Todos nós temos momentos de alguma irritabilidade. Não coloquei aqui este tema para criticar o comportamento dos outros, mas para trazer alguma consciêncialização sobre este assunto...
Quando a liberdade de uns perturba a liberdade de outros!!!
Preciso de mais clareza neste ponto...
Tá aberto o tema meus amigos...