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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A alimentação pode afectar o seu nivel de consciência?




A sua dieta pode afectar a sua vida espiritual?
Filósofos dizem que sim, aqui estão algumas directrizes para o consumo de alimentos que podem melhorar o seu crescimento pessoal.
Celebração, jejum e fé - três componentes da tradição religiosa e espiritual da humanidade desde que reconheceu a existência de forças superiores, e supôs que alguma forma de culto ou ritual de oração pode ser ouvida pelos deuses.
A comida é um dos maiores problemas na cultura de hoje, seja ela de perda de peso com dietas à base de calorias, gorduras ou hidratos de carbono, um influxo de alimentos geneticamente modificados, ou o foco em todo o mundo na campanha contra a fome, perguntas sobre o fornecimento de alimentos para a raça humana enchem as noticias.
Um aspecto dos alimentos está se tornando importante para as pessoas que prestam atenção ao que comem: a possibilidade de que o que eles ingerem tenha impacto no bem-estar espiritual. A ideia não é nova. Filósofos orientais e santos cristãos ficaram conhecidos por jejuar como penitência ou para limpar os seus corpos, considerados o templo do seu espírito. Muitas religiões têm leis antigas proibindo certos alimentos ou combinações de alimentos como profanas ou impuras, contaminando o espírito.
O tema assume uma inclinação diferente no mundo moderno da tecnologia, no entanto, os seres humanos não estão mais intimamente associados com a terra e ao processo natural de crescimento ao longo das estações. Os consumidores mais preocupados de hoje precisam de se focar deliberadamente no que estão a comprar para comer, de onde vem, como foi cultivado, e como seu próprio corpo transforma essa comida em energia.
Reconhecendo que o nosso corpo, mente e espírito estão interligados, inegavelmente leva ao entendimento de que o que fazemos com um aspecto do nosso ser, terá um impacto nos outros. Um próximo passo lógico é tratar do nosso corpo, incluindo a nossa dieta, de uma maneira que irá afectar a forma como pensamos e apoiar o nosso crescimento espiritual.
* Antigos princípios Ayurvédicos da Índia sugerem que certos tipos de alimentos nutrem diferentes emoções ou ideias.
Algumas orientações alimentares Védicas:
- O alimento deve ser tão fresco quanto possível, e deve criar água na boca.
- Alimentos que tem mais de 72 horas criam bloqueios com energia negativa e devem ser evitados.
- O vegetarianismo é bom, mas nem todos estão evoluídos espiritualmente o suficiente para adoptá-lo.
- Estes alimentos apoiam a clareza mental:
-Iogurte natural ou Kefir
-Nozes
-Vegetais verdes
-Frutas (doces)
-Arroz (Basmati integral)
-Coco
- Esses alimentos nutrem o corpo, mas são pesados demais para serem bons para a espiritualidade:
-Leite (cru)
-Proteínas
-Trigo, milho, cevada, etc (a não ser que sejam germinados)
-Legumes que crescem debaixo da terra
-Lentilhas (a não ser que sejam germinadas)
-Especiarias
-Frutas (cítricas)
* Um estudo do poder dos Chakras na filosofia oriental revela sugestões de dieta para melhorar cada um dos sete portais de energia.
As recomendações incluem colocar o foco onde ele é necessário, mas mantendo um equilíbrio global, por exemplo, não ficarmos atordoados/aéreos e sem os "pés no chão", enquanto jejuamos, para nos tornarmos mais espirituais.
--Primeiro Chakra, para aterramento e estabilidade: Proteína, alimentos vermelhos
- Em segundo lugar, para a criatividade, a fluidez, alterar: líquidos, alimentos laranja
- Em terceiro lugar, para força, integridade, humor: carboidratos/hidratos de carbono, alimentos amarelos
- Em quarto lugar, para a respiração e amor incondicional: Legumes, verduras frescas
- Cinco, para uma comunicação clara: Frutas, principalmente azuis
- Seis, para maior clareza mental: Cacau, (alteração de humor)
- Sete, por pura espiritualidade: Nenhum, o jejum
* Os vegetarianos seguem uma dieta livre de carne, tanto para seu próprio bem-estar ou pelo respeito por outras criaturas do planeta, ou ambos. Nem todo o vegetariano escolhe conscientemente o estilo de vida como um caminho espiritual, mas alguns fazem-no, e dizem que quanto mais eles se recusam a alimentar seus próprios corpos, à custa de outro ser vivo, mais facilmente entram em sintonia com a natureza e a lei natural.
A meditação, yoga e outras práticas que visam integrar o corpo, mente e espírito tornam-se mais fáceis, menos uma luta para os ocidentais que optam por evitar carnes e derivados.
Heintz Grotzke, no prefácio do Alimento Espiritual para o Novo Milênio (Spiritual Food for the New Millenium), escreveu:"Alimentos para consumo humano não precisam apenas de alimentar o corpo, mas também o espírito. O pensamento humano não pode compreender o espírito ao alimentar-se com alimentos contaminados. Parece tão lógico e evidente, porém para a maioria das pessoas isto ainda está escondido no meio do nevoeiro."
* O jejum, um tempo para se abster de todos os alimentos sólidos, tem mantido um papel importante na disciplina espiritual desde os primeiros tempos. Embora tenha caído o seu uso ao longo das últimas décadas, muitas práticas religiosas têm, tradicionalmente, usado o jejum como uma forma de castigo físico, uma forma de punir o corpo humano de ter emoções "base" e "desejos mundanos." Esta abordagem do jejum considera que o corpo, "porção" da nossa existência é inferior e deve ser severamente restringido em favor dos mais nobres aspectos "espirituais".
Hoje, poucas pessoas abraçam a ideia de que para crescer plenamente espiritualmente, se deva rebaixar o corpo físico. A tendência é mais para a integração do corpo e do espírito, honrando ambos. Ainda assim, o jejum ocupa um lugar importante para aqueles que desejam aperfeiçoar a ligação entre o espiritual e o físico.
Após o jejum, a mente de uma pessoa é mais clara, dizem, e a percepção extra-sensorial mais viva quando o sistema digestivo não está tão intimamente ligado ao fornecimento de energia.
Além disso, um praticante de jejum inteligente torna-se mais consciente de da forma como está utilizando os alimentos e o que está colocando no seu corpo, assim que o jejum termina. Ele não quer perder o sentimento de leveza que vem com pouca ou nenhuma comida, e ele trabalhou arduamente para purificar o seu funcionamento interno - que gostaria de ficar o nutricionalmente mais limpo possível. Além disso, muitos destes praticantes professam uma maior consciência do valor dos alimentos frescos, integrais e da maneira que toda a vida no planeta é inter-dependente.
* Festejando juntos como uma parte da comunidade nutre os laços que os seres humanos precisam para sentir-se conectados e integrados socialmente. O encontro de uma comunidade de pensamentos comuns, centrado em torno da partilha de alimentos, congrega pessoas de uma maneira que poucas outras coisas conseguem.
O Profeta Kahlil Gabran falou estas palavras sobre a alimentação como alimento espiritual:"Gostaria que você pudesse viver da fragrância da terra,e como uma planta, sustentada pela luz.
Mas já que você tem que matar para comer, e roubar o recém-nascido do leite de sua mãe para saciar sua sede, em seguida, deixe-o ser então um acto de adoração."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Orientações budistas na refeição.



TODA REFEIÇÃO É COMUNHÃO
.
Comer está listado entre nossas necessidades básicas. E, como a maioria das necessidades básicas, é algo que muitas vezes fazemos sem prestar atenção. No entanto, a maioria das tradições espirituais tem usado as refeições e a alimentação como uma oportunidade de desenvolvimento e de treinamento – e a chave para isto está em prestar atenção.
Vamos, então, falar um pouco dessa atenção. O que significa prestar atenção na alimentação? Significa vários níveis diferentes de atenção. Eu posso me dedicar a exercer cada um deles – ou todos, simultâneamente.

Para simplificar, vamos pensar em uma sequência temporal: antes, durante e depois da refeição. E vamos considerar as práticas que podem ser adoptadas em cada uma dessas etapas.

1 – O que vou comer.
Escolher o alimento é exercer o direito de escolher a própria vida em seu nível mais material, mais "dramático", eu diria.
Ao escolher o que como, estou escolhendo, deliberadamente, introduzir determinados elementos no meu organismo. Isso significa, também, escolher as consequências da ingestão desses alimentos. Se escolho uma dieta rica em gorduras, escolho entupir minhas veias.
E o que isso tem a ver com prática espiritual?
Qualquer prática começa pela atenção, pela consciência. Se quero ter consciência, tenho que observar meus actos – especialmente aqueles mais fundamentais. Assim, acompanhar o que se come é, sim, uma prática espiritual.
Experimente fazer o seguinte: durante algum tempo, anote o que come, quando come. Anote o que sentiu e o que o levou a comer. Observe se come por fome ou por mero hábito. Isso lhe dará um bom balanço de como você lida com uma das áreas instintivas mais básicas de sua vida. Irá permitir que você conheça melhor a si mesmo – a base de todo conhecimento.

2 – Quando estou comendo
Enquanto estou comendo, estou realmente comendo?
A pergunta parece meio maluca, mas é importante. Nesse nosso cotidiano corrido, poucas pessoas estão "presentes" nas próprias refeições. A boca come, mas a cabeça "viaja" nos problemas, nos sonhos.
Ao fazermos isso, estamos perdendo o sabor dos alimentos, suas cores, o momento que vivemos. E nossa vida é a soma dos momentos. Portanto, estamos jogando nossa vida fora.
O mestre budista Thich Nhat Hanh destaca a importância vital de estar presente no ato de comer, ao afirmar que "comer consciente é uma importantíssima prática de meditação". Em um de seus artigos no livro "Paz a Cada Passo", sugere, inclusive, uma meditação denominada "A meditação da tangerina", que se constitui no ato simples e fácil de comer uma tangerina com atenção.
Eu disse "simples e fácil"? Pois tente fazê-lo. Ao procurar fazê-lo você poderá ter uma medida de quanto organizada – ou desorganizada – anda sua atenção. Mas, mesmo que não consiga prestar atenção no ato de comer por mais de dois segundos, não desista. Insista. Preste atenção ao se alimentar.

3 – Depois de comer.
E depois de comer, que prática é possível?
Para alguns, a prática do agradecimento. Pense na cadeia de seres que trouxe esse alimento até você. Pense nesse alimento que está se tornando você. E se sinta grato.
Para outros, esse pode ser o momento de uma nova prática de atenção – que se relaciona directamente com a primeira prática citada, a da atenção ao que se escolhe comer. Observe como se sente após cada refeição. Registre, se quiser, suas reacções. Alimentos diferentes provocam sensações diferentes. Só que estamos tão pouco treinados a prestar atenção que nem desconfiamos disto. Só percebemos quando algum alimento nos causa uma reacção muito dramática, como uma alergia.

Entretanto, os alimentos podem ser nossa farmácia natural e nosso apoio nas práticas – se observarmos como reagimos a eles. Um exemplo: para algumas pessoas (e eu me incluo entre elas) alface dá sono e relaxa. Se você se conhece e sabe disso, pode usar alface como seu relaxante natural.
Na alimentação, como em tudo, vale o preceito "Conhece a ti mesmo". E não vamos acreditar que ele valha só para assuntos "espirituais" e menosprezar o conhecimento de nossos actos cotidianos, nossas necessidades básicas. Pois tudo, absolutamente tudo é espiritual. Comer é espiritual. Costumo dizer que toda refeição é comunhão: comigo mesmo, com meu corpo, com os seres que trouxeram o alimento até mim, com os alimentos que consentiram se transformar em mim (pois é isso que acontece quando os ingiro – eles se transformam em minha energia.). Temos, portanto, inúmeras oportunidades de comungar diariamente.
Devemos usa-las bem.


encontrado em "Feminino Plural"


quarta-feira, 25 de março de 2009

Meditação da comida.


"Este pedaço de pão é um embaixador do cosmos inteiro.

Comer uma refeição juntos é uma prática meditativa.

Devemos tentar oferecer nossa presença para cada refeição.

Podemos começar a praticar já no momento em que nos servimos, reflectindo sobre quantos elementos, como a chuva, o sol, a terra, o ar e amor se reuniram para constituir essa refeição. De fato, através da comida podemos ver que o universo inteiro está sustentando nossa existência.

Ficamos conscientes de toda a comunidade enquanto nos servimos e devemos pegar apenas aquela quantidade que é necessária para nós.

Antes de comer, convidamos o sino a soar por três vezes, desfrutamos da nossa respiração e praticamos as seguintes cinco contemplações:
- Esta comida é uma dádiva da terra, do céu, de numerosos seres vivos e de muito trabalho duro;
- Que possamos comer com plena consciência e gratidão para que mereçamos receber o alimento em nosso corpo;
- Que possamos reconhecer e transformar as formações mentais não-saudáveis, especialmente nossa avidez e aprendamos a comer com moderação;
- Que possamos manter viva a nossa solidariedade comendo de modo a reduzir o sofrimento dos seres vivos, proteger nosso planeta e impedir o processo de aquecimento global;
- Aceitamos esta comida como uma maneira de nutrir nossa fraternidade, fortalecer nossa comunidade (Sangha) e alimentar o nosso ideal de servir a todos os seres.

Devemos comer com calma, mastigando bem cada porção, no mínimo 30 vezes, até que a comida se liquefaça. Fazer isso ajuda o nosso processo digestivo.

Vamos aproveitar cada pedaço de nossa comida e a presença de nossos irmãos e irmãs de dharma à nossa volta.

Vamos nos estabelecer no momento presente, comendo de tal forma que a solidez, a alegria e a paz sejam possíveis durante a refeição.

Ao comermos em silêncio, a comida se torna real com a nossa plena consciência e ficamos totalmente atentos ao processo de nutrição acontecendo.

Para aprofundar nossa prática de comer com plena consciência e alimentar a atmosfera de paz, permanecemos sentados durante o período de silêncio.

Depois de vinte minutos de silêncio, convidamos o sino a tocar novamente duas vezes.

Nesse momento, podemos conversar algo saudável com os nossos amigos e começar a levantar da mesa.

Ao finalizar a refeição, dedicamos alguns momentos para tomarmos consciência de que acabamos de comer, de que o nosso prato está vazio e de que nossa fome está saciada. Assim, enchemo-nos de gratidão ao percebermos como somos afortunados por termos uma refeição para comer, sentimento que nos apoia no nosso caminho de amor e sabedoria. "

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"Comer de forma consciente - mindful eating - pode ajudar a manter a compaixão em nosso coração.

Uma pessoa sem compaixão não pode ser feliz, não pode relacionar-se com outros seres humanos e com outros seres vivos.

Uma segunda espécie de comida que consumimos diariamente são as impressões sensoriais, a comida que comemos com os olhos, os ouvidos, a língua, o corpo, a mente.

Quando lemos uma revista, nós consumimos.

Quando você assiste televisão, você consome.

Quando você escuta uma conversa, você consome.

E esses itens podem ser bastante tóxicos.

Podem existir muitos venenos, como desejos, violência, raiva e desespero.

Nós nos permitimos sermos intoxicados quando consumimos em termos de impressões dos sentidos. E, da mesma forma, nós permitimos que nossas crianças também se intoxiquem. "



Thich Nhat Hanh